Sofia de Kastória

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Santa Sofia de Kastória

Santa Sofia de Kastória ou Sofia de Kleisoura (1883-1974) foi monja do Mosteiro da Natividade da Mãe de Deus em Kastória. Sua memória é comemorada em 6 de maio, data de seu repouso.

Vida

Vida matrimonial e maternidade

Santa Sofia de Kastória nasceu em 1883 uma aldeia de Trebizond no Ponto, na Ásia menor, do piedoso casal Amanatiou e Maria Saoulidi. Em 1907, casou-se com Jordan Hortokoridou. Por dois anos, tiveram uma vida matrimonial tranquila. Até que, certo dia, o casal saiu para trabalhar no campo e trouxe o filho pequeno. A criança foi colocada em um berço improvisado, enquanto os pais trabalhavam. Porém, ocupados, não viram porcos famintos devorarem a criança. esses incidentes eram comuns nas comunidades rurais da época. Os porcos domésticos, quando ficavam com fome, atacavam as crianças pequenas como presas fáceis. Em 1914, Sofia recebeu a notícia de que seu marido foi repentinamente levado à força pelos turcos e que havia rumores de que ele trabalhava em um campo de trabalhos forçados em um local desconhecido. Sofia nunca mais ouviu falar do paradeiro de seu marido.

Essas tragédias ajudaram a moldar sua piedade e espírito arrependido, fazendo-a confiar exclusivamente em Deus. Sua alma, através de seu amor simples e humilde, respirou Cristo e a Panagia. "Um é o Senhor e uma é a Senhora", ela dizia de Cristo e da Panagia, "o resto de nós somos todos irmãos." Seu ascetismo começou no Ponto, em uma montanha afastada de seus parentes. Foi lá que um dia São Jorge apareceu a ela e a advertiu para avisar os aldeões de que os turcos se aproximavam, e que todos deveriam fugir. Assim, através desse aviso abençoado do grande Santo e Mártir, ela salvou a aldeia.

Vida monástica

Em 1919, foi para a Grécia como exilada. Enquanto o navio transportava os passageiros da Ásia Menor para a Grécia, uma tempestade o atingiu e colocou os passageiros em grande risco. Eventualmente a tempestade cessou e todos sobreviveram, mas o capitão disse após fazer o sinal da cruz: "Vocês devem ter entre vocês uma pessoa justa que lhes salvou", e todos olharam para Sofia , que estava parada no canto do navio, rezando por toda a viagem. Este incidente existe gravado em fita de vídeo, onde ela mesma conta o que aconteceu: “As ondas se encheram de anjos e a Panagia apareceu, dizendo, 'A humanidade se perderá, porque eles são muito pecadores.' E eu disse: 'Panagia, deixe que eu me perca, pois sou uma pecadora, mas deixe o mundo seja salvo.'"

O nome do navio que a transportava era São Nicolau, por isso, quando chegaram à Grécia, a Panagia apareceu a ela e disse: "Venha para minha casa". Sofia perguntou: "Onde você está e onde é sua casa?" O Panagia respondeu: "Estou em Kleisoura." Assim, aos 44 anos, Santa Sofia se estabeleceu no Mosteiro da Natividade da Theotokos, em Kleisoura de Kastória. O hegúmeno do mosteiro era Gregorios Magdalis, um athonita de grande virtude. Sofia aprendeu muito com ele, e sempre falou dele com enorme respeito e reverência.

Por ordem da Panagia, Sofia vivia dentro da lareira, na cozinha do Mosteiro, que também servia para cozinhar. Dormia apenas duas horas por noite, e havia goteiras toda vez chovia. Às vezes, acendia um pouco de fogo, mas não ajudava. Na janela, tinha semrpe uma vela acesa diante do ícone da Panagia. Era ali que comia, passava o tempo, e recebia visitantes. As pessoas vinham de Tessalônica, dos arredores, e até mesmo de Atenas para vê-la. Santa Sofia podia dizer seus nomes antes mesmo que se apresentassem a ela. Além disso, podia antecipar os problemas familiares que angustiavam seus corações. Entre esses visitantes, estava padre Leônidas Paraskevopoulos, que mais tarde se tornaria Metropolita, e dizia: "Você tem um grande tesouro lá em cima".

Santa Sofia não tinha vaidade, e não se importava em vestir farrapos. Vestia-se mal e possuía apenas um cobertor rasgado. Os visitantes viam como a santa sofria com o frio e presenteavam-na com roupas, mas santa Sofia as pegava com uma das mãos e dava aos pobres com a outra. Cobria os cabelos com um lenço preto e, desde seus dias no Ponto, sequer tomava banho.

Seu jejum era constante e só se permitia óleo nos fins de semana. Desde a época em que o calendário eclesiástico mudou na Grécia, Sofia guardava os jejuns do antigo e do novo calendário para não ser uma ofensa a ninguém. Comia apenas para sobreviver, e não se importava com agradar o paladar, tampouco com higiene dos alimentos - muitas vezes, comia sem nem mesmo limpar as frutas ou legumes. Apesar disso, Santa Sofia estava sempre saudável. Os visitantes frequentemente davam algum dinheiro à santa que, escondia, e na primeira oportunidade dava o dinheiro a alguém que precisasse.

Seus olhos testemunharam coisas escandalosas feitas por padres e leigos, mas nunca abriu seus lábios para criticar ninguém. “Cubra as coisas, para que Deus te cubra”, dizia ela.

Sua popularidade cresceu rapidamente, de modo as pessoas vinham vê-la não apenas de todos os lugares da Grécia, como também do Oriente Médio e até da França. Alguns aldeões zombavam dela, chamando-a de "Sofia, a Louca". Para muitos, santa Sofia lembrava Santa Maria do Egito pela magreza excessiva, mas continha a mesma beleza de Santa Maria.

Em 1967, Sofia ficou muito doente, sentindo também muitas dores. Em seu estômago abriram muitas feridas, que cheiravam mal. Ela aguentou a dor com coragem, dizendo: "A Panagia virá para tirar minha dor. Ela me prometeu." Alguns falaram de peritonite. Outros argumentaram que a borracha dura da saia fina que ela usava rasgou sua pele. Pelas descrições de quem assistiu ao assunto, provavelmente se tratava de um "abscesso periapendicular", segundo a terminologia médica. Mas a santa tapava a ferida com panos, que começavam a apodrecer e não permitia que chamassem médicos. Recusando tratamentos, dizia somente que "A Panagia virá e levará minha dor. Ela me prometeu".

Padre Panagiotis, de Kastória, conta que seu genro Ângelo presenciou os eventos e os conta com precisão:

No mês de setembro de 1967, fomos acampar com os escoteiros no Mosteiro da Panagia. Montávamos as nossas tendas fora do mosteiro, na eira, e íamos frequentemente à igreja. Era o dia da festa de 8 de setembro.
De repente, caiu uma chuva torrencial e corremos para pegar nossas coisas no acampamento e entramos no pátio do mosteiro. Lá ouvimos gemidos de reclamação vindos da terceira lareira. Aproximamo-nos e vimos uma confusão escura, da qual ouvimos os gemidos. Reconhecemos que era Sofia. Ela estava com muita dor. Havia também um leigo de Varyko no mosteiro. Mencionamos o que estava acontecendo e ele disse: 'A velha é durona'.
Era como se Sofia falasse em silêncio e com dor. Entre as palavras que não podiam ser entendidas, ela dizia continuamente: "A Panagia, a Panagia." Eventualmente, aqueles que eram os mais forte a pegaram e, cuidadosamente, a colocaram sobre a mesa. George, que era calouro em medicina, e cujo pai era governador de Amintoio, a examinou. Konstantinos Georgakopoulos, um ortopedista hoje em Florina, e meu amigo Anastasios Athanasiou, que recentemente havia deixado o cargo de major do Exército, também estavam lá. O fedor era grande e a ferida precisava de uma cirurgia imediata.
Sofia gemeu de dor a noite toda. Dois ou três escoteiros acordaram muito cedo na manhã seguinte. Saímos para o pátio e o velho criado nos cumprimentou. "Hoje temos um milagre", acrescentou. Sofia foi até a fonte e jogou água em si mesma. Nós nos aproximamos dela e as crianças pegaram sua roupa. Todos nós vimos com nossos olhos a ferida recém-fechada do peito até o apêndice.
Ficamos mais dias no mosteiro. Nós a vimos andando pelo pátio falando de seu milagre. Ela não parecia estar circulando com dificuldade, como se fosse alguém que recentemente passou por uma cirurgia. Foi um milagre, entende? Para os outros, ela mostrou sua ferida, com evidente alegria. Já se passaram trinta anos e é como se a visse diante de mim. Como se fosse ontem."

Para um grupo de peregrinos piedosos que vieram de ônibus de Atenas, ela mesma descreveu este incrível acontecimento, que foi preservado em fita.

Repouso

A Anciã Sofia adormeceu no Senhor em 6 de maio de 1974 e foi sepultada no terreno do Mosteiro. Muitos que a conheciam vieram orar em seu túmulo. As suas relíquias são guardadas no Mosteiro e, a pedido das monjas, podem ser veneradas pelos fiéis.

Pós-vida

Ligações externas