Juliano e Júlio de Egina

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Os Veneráveis Santos Juliano e Júlio de Egina (séc. IV e V) foram dois santos irmãos missionários em terras pagãs. A Igreja os comemora separadamente no dia 7 de janeiro pelo repouso de São Juliano e no dia 31 de janeiro pelo de São Júlio. Também são comemorados pela transladação de suas relíquias em 19 de maio, durante a Festa de Todos os Padroeiros de Hidra em 17 de outubro, durante a Festa de Todos os Santos de Egina em 30 de julho e no dia 21 de junho.

Vida

Na ilha de Egina na Ática haviam dois irmãos, Juliano, o Diácono, e Júlio, o Presbítero. Juliano nascera em 319 e Júlio em 330 numa rica família cristã. Após receberem uma educação básica na ilha, partiram para Atenas para ingressarem nos estudos superiores. Ambos estudaram com São Basílio, o Grande, São Gregório, o Teólogo, e com o futuro imperador Juliano, o Apóstata.

Juliano e Júlio, grandes admiradores das obras do santo Apóstolo Paulo, decidiram imitá-lo e voltaram para Egina para se prepararem para o trabalho missionário. Após serem respectivamente ordenados diácono e presbítero pelo Bispo de Atenas, partiram pregando a Palavra de Deus, batizando, construindo igrejas e até destruindo templos pagãos. Em Corinto, os arianos tentaram matá-los, mas conseguiram fugir para uma longa viagem de barco até Roma. No meio do caminho, desembarcaram nas inóspitas terras balcânicas e converteram os pequenos vilarejos da Boêmia e das atuais Polônia e Hungria.

No Danúbio presenciaram uma grande multidão, e descobriram que tratava-se de um jovem possesso, que estava amarrado e prestes a ser queimado vivo pelos sacerdotes pagãos, de forma que a região fosse purificada de demônios. Os irmãos conseguiram exorcizar os demônios e curaram o homem com o sinal da Cruz. A multidão se maravilhou, e muitos passaram a crer no Deus verdadeiro revelado pelos dois santos.

Na era do santo Papa Dâmaso I de Roma (366–384) e do santo Imperador Teodósio I (379–395), ambos conseguiram chegar em Roma e veneraram o local onde São Paulo havia sido decapitado, além de outros santuários dos mártires. Eles se encontraram com o imperador, que os concedeu uma autorização escrita permitindo a pregação do cristianismo por todo o império, e depois com o papa, que os enviou a Mediolano (atual Milão) para auxiliarem o bispo de lá, Santo Ambrósio. Lá, conseguiram construir mais de uma centena de igrejas, além de realizarem batismos e curarem os enfermos.

Lago Maior, um dos maiores lagos italianos.

Após cinquenta anos de atividade missionária, decidiram partir para a solidão e tomaram caminhos diferentes pela primeira e última vez. Juliano partiu para o Lago Maior, na fronteira norte da Itália, e Júlio mais a oeste, numa ilha deserta do Lago Orta, cheia de pedras e ferozes serpentes, as quais causavam tamanho medo nas vilas das redondezas que os barqueiros se recusavam a levá-lo para lá. São Júlio, então, milagrosamente deitou seu manto nas águas e andou sobre elas até chegar na ilha, onde, com o poder de Deus, subjugou as serpentes e os escorpiões.

Juliano adoeceu gravemente, e repousou aos setenta e dois anos de vida no sétimo dia de janeiro de 391. Ele foi sepultado na Igreja de São Lourenço, a qual ele mesmo construiu. Júlio viveu por mais dez anos em oração e jejum em sua ilha, e foi sepultado na Igreja dos Santos Pedro e Paulo, construída por ele, no último dia de janeiro de 401.

Pós-vida

Basílica de São Júlio, portadora de parte de suas relíquias. Para mais fotografias, incluindo a do relicário, veja a categoria no Wikimedia Commons.
Ilha de São Júlio, no Lago Orta.

Após a morte de São Júlio, a ilha que habitou recebeu seu nome e passou a ter uma capela em honra ao santo. No século VI, uma igreja e um batistério octogonal começaram a ser erguidos, abaixo dos quais Filácrio, Bispo de Novária (atual Novara; 553–568), pediu para ser sepultado. Depois, um duque da região construiu sua casa lá, e culminou na construção de um castelo pelo Rei Berengário II da Itália (950–961) no século X. Guerras desse século talvez tenham destruído a igreja, a qual foi transformada numa basílica após o Grande Cisma, no século XII. No século XIX, o batistério foi demolido para concluir a transformação da ilha num mosteiro latino.

A memória de ambos os irmãos ficou esquecida por mais de um milênio no Oriente, mas foi mantida pelo Ocidente. Em 1961, peregrinos do norte da Itália chegaram à ilha de Egina para comemorar o seiscentésimo aniversário da transladação de suas relíquias pelos latinos em 1361, trazendo pela primeira vez o relato de suas vidas. Em 1968, algumas de suas relíquias foram trazidas à Igreja de São Dionísio, e em seguida à Igreja dos Santos de Egina, até serem retornadas àquela em 1991. Em 2008, foi construída a primeira capela em honra aos santos, localizada na ilha de Egina.

Ligações externas