João, o Crisóstomo

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O Venerável São João Crisóstomo (m. 407) foi Arcebispo de Constantinopla, e um grande mestre e hierarca ecumênico. A Igreja o celebra em diversas datas: em 14 de setembro pelo seu repouso, em 13 de novembro, também pelo seu repouso, mas para que a comemoração não coincida com a Exaltação da Santa Cruz (14 de set.), em 15 de dezembro[nota 1] por sua ordenação ao arcebispado de Constantinopla, em 27 de janeiro pela transladação de suas relíquias, em 30 de janeiro com a Sinaxe dos Três Santos Hierarcas, e em 26 de fevereiro por sua ordenação ao sacerdócio.

Vida

São João Crisóstomo foi condenado pela imperatriz Élia Eudóxia por causa de sua ousada denúncia dos vícios daqueles que governavam Constantinopla. Crisóstomo morreu no ano de 407 na cidade de Comana Pôntica na Capadócia (atual Turquia oriental), enquanto dirigia-se ao exílio.

Relíquias

São João Crisóstomo possuía um amor caloroso e um profundo respeito para com o povo, e a tristeza por sua prematura morte vivia no coração dos cristãos. Seu discípulo, São Proclo, Patriarca de Constantinopla (434–447), durante uma missa na Igreja de Santa Sofia,[nota 2] pregou um sermão louvando São João Crisóstomo. Disse ele:

“Ó João, sua vida foi cheia de angústias, mas sua morte foi gloriosa. Sua sepultura é abençoada e sua recompensa é grande, pela graça e pela misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, ó agraciado, tendo conquistado os limites do tempo e do espaço! O amor conquistou ou espaço, a inesquecível memória aniquilou os limites, e o espaço não mais pôde impedir os milagres do santo.”

Os fiéis da igreja, profundamente tocados pelas palavras de São Proclo, não permitiram nem que ele continuasse o sermão. Através de um acordo, eles pediram ao Patriarca para que intercedesse junto ao imperador Teodósio II (408–450), filho de Eudóxia, para que as relíquias de São João Crisóstomo fossem trazidas de volta a Constantinopla. O imperador, vislumbrado com a determinação de São Proclo, consentiu e deu ordens para a transferência das relíquias do santo.

Seus enviados não conseguiam erguer as relíquias sagradas, e o imperador percebeu que ele havia os enviado com um édito, em vez de com uma oração. Ele escreveu uma carta ao santo, humildemente pedindo-lhe que perdoasse sua audácia e retornasse a Constantinopla. Depois da leitura da mensagem no túmulo de São João Crisóstomo, os homens conseguiram pegar suas relíquias, e levaram-nas a barco até Constantinopla. A transferência das veneráveis relíquias do santo foi feita em 438, trinta anos após sua morte.

O caixão com as relíquias foi posto na Igreja de Santa Irene (Paz). Quando o Patriarca Proclo abriu-o, descobriu-se que o corpo do santo estava incorrupto. O imperador, em lágrimas, aproximou-se do caixão e pediu perdão por sua mãe, que o havia exilado. Pelo dia inteiro, os fiéis não deixavam o caixão.

Na manhã, o caixão foi levado à Igreja dos Santos Apóstolos. O povo clamou: “Pai, suba ao seu trono!”, e, diante do Patriarca e do clero, São João abriu sua boca e disse: “A paz esteja com todos vós”. Muitos dos enfermos foram curados em seu túmulo.

A celebração da transferência das relíquias de São João Crisóstomo foi estabelecida no século IX.

Hinos

Tropário

(Cantado pela Catedral Ortodoxa Antioquina de São Paulo; em tom 8)

A graça que brilhou em teus lábios, como um farol iluminou o universo; /
fez brilhar para o mundo as riquezas da pobreza /
e revelou-nos a grandeza da humildade. /
Ensinando-nos por tuas palavras, ó nosso Pai João Crisóstomo, /
intercede ante o Verbo, Cristo nosso Deus, para que salve nossas almas.

Notas

  1. Um certo prólogo moscovita do século XIX a lista como 20 de dezembro (cf. I. Martinov, Annus ecclesiasticus græco-slavicus), mas essa afirmação não pode ser constada em nenhum outro calendário.
  2. Não confundir com a basílica homônima, que foi construída no século seguinte.

Ligações externas