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→O caminho a Nicomédia
Vendo-o irresoluto em sua confissão de Fé, os magistrados trancaram-no na prisão e proibiram os carrascos de trazerem-no comida. Embora pensassem que o santo não resistiria à fome e abandonaria sua Fé para salvar-se da morte, a verdade é que São Luciano já havia conquistado o seu estômago pelos seus extensos jejuns, de forma que a gula já não era para ele uma paixão.
O santo confessor passou semanas trancado em sua cela sem receber uma única migalha de pão, nutrindo sua alma através da oração incessante. Em um [[7 6 de janeiro]], dia da [[Teofania|Festa da Teofania de Cristo Deus]], São Luciano chegou ao fim de sua batalha, sabendo que sua morte era iminente. Pela Divina Providência, um cristão que visitava a prisão entregou secretamente pão e vinho aos confessores.
Todos os cristãos presos vieram até o padre Luciano, e ele lhes pediu que cercassem-no e colocassem o pão e o frasco de vinho em cima de seu corpo. Deitado e sem mais forças para se levantar, São Luciano ofereceu-se como um altar a Deus. Todos rogaram diante do pão e do vinho, e São Luciano pediu a Deus que aceitasse aquele sacrifício de louvor. Então, iniciou a Santa Anáfora, mencionando as palavras de Cristo aos apóstolos na Divina Ceia Mística e suplicando pela decida do Espírito Santo sobre aqueles dons. Tendo todo o seu rebanho em sua mente, São Luciano falou o Pai Nosso e ofereceu a Santa e Divina Comunhão a si e a todos os cristãos presentes.
No dia seguinte, foi decidido que São Luciano fosse novamente levado às torturas físicas. Quando os soldados abriram o cárcere do ancião, ele deu um brado, exclamando: “Eu sou cristão! Eu sou cristão! Eu sou cristão!” e, caindo sem forças ao chão, entregou sua alma a Deus com mais de sessenta anos de idade, partindo para perpetuamente servir a Divina Liturgia nas Alturas do Reino dos Céus ao lado de seu Criador.
== Pós-vida ==
Com o fim da Grande Perseguição e a vitória de São Constantino (306–337) sob os imperadores pagãos em 312, a memória de São Luciano passou a ser comemorada anualmente em [[7 de janeiro]] pelos cristãos. A santa Imperatriz Helena, mãe de São Constantino, financiou a construção de uma igreja dedicada ao hieromártir em Antioquia, transferindo as relíquias de São Luciano para o seu altar. Esse evento foi grandemente celebrado pelos cristãos, e mais uma data foi adicionada ao calendário litúrgico para honrar essa consagração, feita num [[15 de outubro]].
Mais tarde, com a universalização da [[João, o Batista|Festa de São João, o Batista]], em 7 de janeiro, e a grande quantidade de hinos compostos para essa festividade, os ofícios divinos levavam horas para serem concluídos, e a lembrança de São Luciano passava quase que despercebida em meio a tantos hinos para São João. Por isso, as igrejas da Síria decidiram transferir os ofícios de São Luciano e mesclá-los com os do dia da consagração de sua igreja, no 15 de outubro. Consequentemente, os novos sinaxários passaram a listá-lo somente nessa data.
Curiosamente, a devoção de alguns iconógrafos a São Luciano faziam-nos grafá-lo vestindo um felônio e um omofório, tecidos apropriados apenas para hierarcas. Na iconografia, isso já ocorreu com São Haralambos, devido à importância que o santo tinha para determinada comunidade.
[[Categoria:Santos antioquinos]]