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=== O sacerdote de Antioquia ===
São Luciano era um exemplo para todos os cristãos de Antioquia. Suas homilias refletiam a Luz das Sagradas Escrituras e preservavam os fiéis de cairem caírem nas várias heresias daqueles tempos. O santo advogava pela comunhão frequente, lembrando dos mártires que, mesmo passando por uma longa batalha, não rendiam seus espíritos até receberem os Santos Dons. As crianças amavam-no, mas a principal admiradora de São Luciano era uma garota de apenas quinze anos, chamada Pelágia. Através dos ensinamentos transmitidos por São Luciano, Pelágia decidiu preservar sua virgindade e oferecer toda a sua vida a Cristo.
O santo pregou por cerca de trinta anos em paz, mas não sem acumular inimigos, muitos destes sendo os próprios membros do clero. Em 303, o Imperador Diocleciano (284–305) iniciou a maior e mais cruel Perseguição aos cristãos, e os inimigos de São Luciano rapidamente denunciaram-no. Seu rebanho foi asperamente perseguido pelas forças de Diocleciano, e até as crianças que se recusassem a comer os alimentos aspergidos no sangue dos sacrifícios aos ídolos pagãos eram raptadas e martirizadas em caldeirões ferventes. Quanto à jovem Pelágia, toda a sua longa vida agradável a Deus que tinha pela frente acabou no momento em que os inimigos de São Luciano revelaram sua morada e suas ambições aos oficiais de Diocleciano, os quais despacharam soldados para destruírem sua virgindade. Assim que arrombaram a porta de sua casa, Pelágia, vestindo-se como noiva de Cristo que era, subiu ao último andar de sua casa e dele se jogou, adentrando as câmaras nupciais celestes aos quinze anos de idade como um sacrifício imaculado ao seu Esposo, para junto d’Ele pelos séculos dos séculos reinar. Santa Pelágia é comemorada pela Igreja no dia [[8 de outubro]].
São Luciano permaneceu com alguns fiéis que tomaram refúgio fora da cidade, mas um certo Pancrácio, sacerdote da Igreja de Antioquia que nutria uma profunda inveja contra o santo, negociou com os soldados ser libertado em troca de revelar onde São Luciano estava escondido.
=== O caminho a Nicomédia ===
São Luciano foi preso pela guarda de Diocleciano e, devido à sua importância, não foi levado ao governador da Celessíria (a província cuja capital era Antioquia), mas sim ao próprio tribunal de Diocleciano em Nicomédia. Durante o caminho de Antioquia a Nicomédia, que passava pela Cilícia e pela Capadócia, tamanha era a santidade daquele já idoso sacerdote que os próprios soldados eram cativados pelas suas palavras. A cada cidade que passavam, um dos soldados declarava-se cristão em alta voz, sendo logo preso pelos seus superiores. Ao todo, mais de quarenta soldados se converteram ao lado de São Luciano e adentraram o Reino dos Céus como santos mártires por Cristo.
Quando finalmente chegaram a Nicomédia, São Luciano foi interrogado e instado a oferecer sacrifícios para o bem-estar do imperador, pois só assim poderia salvar sua vida. O santo, porém, confessou-se cristão e envergonhou os pagãos com seus discursos, os quais o próprio Espírito Santo falava através de sua boca. Grunhindo de raiva como demônios, os juristas julgaram o santo como blasfemador de seus deuses, e condenaram-no a cruéis açoites e chicotes, apesar de sua idade. Em todos esses tormentos, São Luciano louvava a Deus e agradecia-O por fazê-lo digno de sofrer pela Verdadeira Fé em Cristo.
Vendo-o irresoluto em sua confissão de Fé, os magistrados trancaram-no na prisão e proibiram os carrascos de trazerem-no comida. Embora pensassem que o santo não resistiria à fome e abandonaria sua Fé para salvar-se da morte, a verdade é que São Luciano já havia conquistado o seu estômago pelos seus extensos jejuns, de forma que a gula já não era para ele uma paixão.
O santo confessor passou semanas trancado em sua cela sem receber uma única migalha de pão, nutrindo sua alma através da oração incessante. Em um [[7 de janeiro]], dia da [[Teofania|Festa da Teofania de Cristo Deus]], São Luciano chegou ao fim de sua batalha, sabendo que sua morte era iminente. Pela Divina Providência, um cristão que visitava a prisão entregou secretamente pão e vinho aos confessores.
Todos os cristãos presos vieram até o padre Luciano, e ele lhes pediu que cercassem-no e colocassem o pão e o frasco de vinho em cima de seu corpo. Deitado e sem mais forças para se levantar, São Luciano ofereceu-se como um altar a Deus. Todos rogaram diante do pão e do vinho, e São Luciano pediu a Deus que aceitasse aquele sacrifício de louvor. Então, iniciou a Santa Anáfora, mencionando as palavras de Cristo aos apóstolos na Divina Ceia Mística e suplicando pela decida do Espírito Santo sobre aqueles dons. Tendo todo o seu rebanho em sua mente, São Luciano falou o Pai Nosso e ofereceu a Santa e Divina Comunhão a si e a todos os cristãos presentes.
No dia seguinte, foi decidido que São Luciano fosse novamente levado às torturas físicas. Quando os soldados abriram o cárcere do ancião, ele deu um brado, exclamando: “Eu sou cristão! Eu sou cristão! Eu sou cristão!” e, caindo sem forças ao chão, entregou sua alma a Deus com mais de sessenta anos de idade, partindo para perpetuamente servir a Divina Liturgia nas Alturas do Reino dos Céus ao lado de seu Criador.
[[Categoria:Santos antioquinos]]