Alexandre de Jerusalém

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Santo Alexandre.

O Santo Hieromártir Alexandre, Arcebispo de Jerusalém (séc. III), liderou e fez florescer a Igreja de Jerusalém de 212 a 251, quando foi martirizado durante a Perseguição de Décio. A Igreja comemora sua memória nos dias 12 de dezembro e 16 de maio.

Vida

Alexandre nasceu por volta de 174 na Capadócia (atual Turquia oriental), e em sua juventude partiu para o Egito, sendo um excelente aluno de São Clemente de Alexandria, juntamente com Orígenes. Durante o reinado de Sétimo Severo (193–211), Alexandre foi aprisionado por proclamar a Fé e recusar-se a sacrificar aos ídolos pagãos, mas não recebeu condenação. Quando solto, Alexandre foi feito arcebispo na Capadócia, mas a localização de sua diocese nunca foi identificada.

Depois de alguns anos como hierarca, Alexandre partiu a Jerusalém para cumprir seu voto de venerar na Terra Santa. Após sua chegada, os cristãos de Jerusalém impediram que o arcebispo voltasse à Anatólia, pois, na noite anterior, alguns dos mais zelosos entre eles haviam recebido uma mensagem em sonho de que o hierarca predestinado por Deus a eles adentraria a Judeia no dia seguinte. A situação da Igreja de Jerusalém naquele momento estava muito frágil, pois São Narciso, Arcebispo de Jerusalém (185–212), havia sido caluniado de acordo com a malícia de alguns e, após perdoá-los, partiu em seclusão no deserto por vários anos. Três bispos tentaram governar Jerusalém em sua ausência, até que ele voltasse numa idade extremamente avançada.

Sendo pressionado não só pelos fiéis mas também pelos sacerdotes, Alexandre decidiu ficar, e tornou-se o bispo auxiliar de São Narciso. Ele serviu o santificado arcebispo até seus cento e dezessete anos de idade, quando foi martirizado enquanto orava. Então, em 212, aos trinta e sete anos de idade, Alexandre tornou-se Arcebispo de Jerusalém. Em seu arcebispado, a primeira biblioteca de obras teológicas foi fundada na Terra Santa, que incluía também os livros que o próprio hierarca compilava a partir das obras de Santo Hipólito de Roma, Caio, o Presbítero, e Berilo, Bispo de Bostra, entre outros autores que combatiam as heresias primitivas. Alexandre compunha epístolas a comunidades cristãs desde a Síria ao Egito, e foi em Jerusalém que Orígenes encontrou refúgio para escrever suas obras sob a proteção do arcebispo.

Alexandre guiou seu rebanho pacificamente durante décadas, instruindo-os na verdadeira Fé e salvando-os dos lobos heréticos que a Igreja enfrentava naqueles tempos. Quando o Imperador Filipe (244–249) foi assassinado pelo ímpio Décio, este usurpou o império para si e, em 250, deu início a uma feroz perseguição contra os cristãos que recusassem a oferecer sacrifícios aos ídolos. Alexandre, com a reputação que tinha, foi um dos primeiros a serem levados em correntes ao pretório de Cesareia na Judeia.

Santo Alexandre proferiu um longo discurso a todos os presentes, confessando a Jesus Cristo como Deus, Rei verdadeiro e Criador de todas as coisas e manifestando os ídolos como demônios que guiavam os pagãos à ilusão. Em suas duras e sábias palavras, o santo hierarca também declarou anátema todo aquele que venerasse os ídolos e os proclamasse. Irado, o prefeito da Judeia ordenou sua tortura, e Santo Alexandre bravamente suportou-as por longos dias, sem renunciar ao seu Senhor e sempre invocando o Seu Nome.

Após diversas e cruéis torturas, Santo Alexandre foi levado ao anfiteatro para ser devorado pelas bestas selvagens. Assim que foram soltas, o arcebispo, tendo recebido a glória dos cabelos brancos e já não conseguindo mais ficar em pé devido aos seus profundos ferimentos, fez um suplício ao Senhor: “Ó Deus, se é de Teu querer que agora eu pereça, seja feita a Tua vontade!” Imediatamente, as bestas foram em sua direção e, em vez de atacá-lo, para o encantamento de todos os que presenciavam seu martírio, prostraram-se com suas cabeças ao chão perante o santo e veneraram seu corpo ensanguentado, lambendo-o.

O grande hierarca deu graças ao Senhor pelo milagre, e não resistiu aos ferimentos. Assim, em 251, Santo Alexandre entregou sua alma ao Senhor, e nos Céus foi recebido com a coroa do martírio. Logo em seguida, piedosos cristãos tomaram seu corpo e ungiram-no, envolvendo-o em lençóis de linho e enterrando-o num lugar apropriado.

Hinos

Tropário

(Tradução livre)

Ó Arcebispo Alexandre, /
os teus justos atos mostraram aos fiéis uma lei de fé, /
uma imagem de mansidão e um mestre de renúncias. /
Por isso conseguiste, pela mansidão, consideração e pobreza, a grande riqueza. /
Intercede, pois, junto ao Senhor, /
pela salvação de nossas almas.

Referências

  • São Nicodemos, o Hagiorita (1819). Sinaxário dos doze meses do ano. Tomos I e II.
  • São Demétrio, Arcebispo de Rostóvia (1906). A vida dos santos. Livro IV.
  • São Nicolau, Bispo de Ócrida (2002). O prólogo de Ócrida. Volume II.

Ligações externas


Alexandre de Jerusalém
Precedido por
São Narciso de Jerusalém
Arcebispo de Jerusalém e Toda a Palestina
212–251
Sucedido por
Mazabanes de Jerusalém