Profeta Semaías

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São Semaías.

O Santo Profeta Semaías (séc. X a.C.) foi um profeta israelita que impediu o derramamento de sangue entre seu povo. Sua memória é celebrada pela Igreja no dia 8 de janeiro; entretanto, por algum motivo, os calendários eslávicos adiaram a festa para o dia seguinte, 9 de janeiro. A tradição latina manteve sua celebração no dia oitavo, como se consta no primeiro volume do Acta Sanctorum.

Vida

Semaías, cujo nome significa “Deus escuta”, nasceu na era do santo Rei Salomão de Israel (c. 970–931 a.C) e profetizou durante o reinado de seu filho, Roboão (c. 931–913 a.C). São Salomão confiou a Jeroboão, um homem laborioso, a Tribo de Efraim, da qual ele provinha. Um dia, Jeroboão encontrou-se com o santo Profeta Aías, e este profetizou que Deus havia de lhe dar as dez tribos de Israel ao norte de Jerusalém, as quais haviam se desviado dos Seus mandamentos e passado a adorar deuses pagãos. Salomão procurou matá-lo, mas ele conseguiu fugir para o Egito.[1]

Divisão dos reinos de Israel e de Judá.

Após o repouso da alma de São Salomão, as dez tribos se recusaram a ser governadas por um sucessor seu, alegando que haviam sido impostas a um jugo pesado durante o reinado da Casa de Davi. Roboão ouviu aos anciãos, que o recomendaram a benevolência, e aos seus próximos, que preferiram um castigo ainda pior para as tribos. Roboão preferiu o último, e proclamou um duro discurso contra o povo, jurando que, se haviam sido castigados com açoites antes, agora seriam com escorpiões. As tribos se rebelaram, e Roboão fugiu para Jerusalém, onde apenas as duas tribos que mantiveram a adoração a Deus —Judá e Benjamim— o legitimaram rei.[2]

Assim cumpriu-se a profecia, e Roboão reinou sobre o novo reino de Judá, enquanto Jeroboão foi proclamado rei de Israel. Roboão convocou as duas tribos com a intenção de uma guerra contra Israel, mas Semaías, um “homem de Deus”, o alertou a não entrar em guerra com os irmãos do norte. Deus mandou-lhe dizer:

“Eis o que diz o Senhor. Não façais guerra aos vossos irmãos, os israelitas. Volte cada um para a sua casa. Tudo isso se fez por Minha vontade.”

Com essas palavras, cento e oitenta mil guerreiros voltaram para suas casas. Roboão, então, encarregou-se de construir cidades fortificadas com arsenais de escudos e lanças e estocadas de alimentos ao sul de Jerusalém, incluindo Belém e Hebrom. Enquanto isso, Jeroboão, temendo que as tribos voltassem a Deus em Jerusalém, ordenou que fossem feitos dois bezerros de ouro, e os apresentou ao povo como sendo o Deus de Israel. Jeroboão também construiu templos a bodes e touros, “ordenando” não-levitas ao sacerdócio. Os sacerdotes levitas e os crentes abandonaram todas as suas terras em Israel para aderir a Judá.[3]

Estando seu reino constituído e firmado, Roboão e seu reino afastaram-se de Deus. Por causa de seus pecados em Jerusalém, Sisaque I, Faraó do Egito (943–922 a.C.), atacou Judá com mil e duzentos carros e sessenta mil cavaleiros. Semaías voltou-se a Roboão e aos seus governadores em Jerusalém e profetizou:

“Eis o que diz o Senhor. Vós Me abandonastes, e Eu também vos abandono nas mãos de Sisaque.”

Humilhados, o rei e seus governadores aceitaram a justiça de Deus. Então, Sua palavra foi dirigida a Semaías novamente: “Eles se humilharam e por isso não os destruirei. Vou dar-lhes em breve um meio de salvação. Minha ira não se desencadeará sobre Jerusalém pela mão de Sisaque. Mas eles terão que servir para que saibam distinguir entre o Meu serviço e o serviço dos reis estrangeiros.” Sisaque atacou Jerusalém, e saqueou todos os tesouros do Templo e do palácio real, além dos escudos de ouro de Salomão. A humilhação de Roboão impediu que sua ruína fosse total.[4]

Roboão adormeceu após dezessete anos de reinado, e foi sepultado em Jerusalém junto de seus ancestrais da Casa de Davi. Todos os atos de Roboão foram escritos por São Semaías em seu livro, porém não fomos dignos de conhecê-lo.

Referências

  1. III Reis 11
  2. III Reis 12
  3. II Crônicas 11
  4. II Crônicas 12

Ligações externas