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Atanásio do Monte Athos

Santo Atanásio do Monte Athos.

O Venerável Santo Atanásio, Fundador da Grande Lavra (séc. X), foi um monástico que fundou o Mosteiro da Grande Lavra, no Monte Athos. A Igreja o comemora juntamente com seus seis santos discípulos em 5 de julho.

Vida

Abraão nasceu na cidade de Trebizonda em meados de 920. Órfão desde cedo, foi criado por uma piedosa freira, de quem imitou os hábitos monásticos, de jejum e oração. Possuía também uma inteligência destoante. Após a morte de sua mãe adotiva, Abraão foi levado a Constantinopla, à corte do Imperador Romano II (959–963), e foi admitido como discípulo do renomado retórico Atanásio. Em pouco tempo Abraão atingiu o domínio da retórica e tornou-se instrutor aos jovens.

Reconhecendo como verdadeira a vida do jejum e da vigília, Abraão levou uma vida estrita e abstinente — ele dormia pouco e sentava-se apenas em um banquinho. Pão de cevada e água eram seus únicos alimentos. Quando, pela fraqueza humana, seu mestre Atanásio enciumou-se de seu aluno, Abraão abandonou sua posição como professor e foi embora.

Naquele tempo, havia chegado em Constantinopla São Miguel Maleíno, hegúmeno do Mosteiro de Cimineia, na Ásia Menor. Abraão contou ao hegúmeno sobre sua vida, e revelou-o seu desejo de tornar-se monge. O santo ancião, vendo em Abraão o Espírito Santo, admirou-se e ensinou-o muito em questões de salvação. Um dia, São Miguel foi visitado por seu sobrinho Nicéforo, oficial do exército que futuramente tornar-se-ia Imperador Nicéforo II (963–969). Nicéforo impressionou-se tanto com o espírito e a mente de Abraão que considerou o santo com respeito e amor por toda a sua vida. Tendo já abandonado tudo, Abraão caiu aos pés de São Miguel, e implorou para ser recebido na vida monástica. O hegúmeno cumpriu seu desejo com alegria, e tonsurou-o como Atanásio.

Com longos jejuns, vigílias, prostrações, labutas dia e noite, Atanásio logo alcançou tal perfeição que o santo hegúmeno abençoou-o para tirar partido do silêncio num lugar solitário não muito longe do mosteiro. Mais tarde, tendo deixado Cimineia, Atanásio percorreu diversos lugares solitários e desolados, e, guiado por Deus, chegou a um lugar chamado Melanos, na extremidade de Athos, afastando-se das habitações monásticas. Lá, o monge erigiu uma cela para si próprio, e começou a viver uma vida asceta, em obras e oração, avançando de batalha em batalha até a conquista monástica.

Inúmeras vezes o Inimigo tentou despertar em Santo Atanásio o ódio pelo lugar escolhido por ele, agredindo-o nos pensamentos. O asceta decidiu então que sofreria por um ano, e então onde quer que o Senhor o dirigisse, ele iria. No último dia do ano, quando o santo começou a rezar, uma luz divina começou a brilhar sobre ele, enchendo-o de uma alegria indescritível. Todos os seus pensamentos se dissiparam, e de seus olhos fluíram lágrimas. Santo Atanásio acabava de receber o dom da ternura, e apaixonou-se pelo lugar que antes odiara.

Nessa ocasião, Nicéforo, tendo cansado da vida militar, lembrou-se de seus votos de tornar-se monge, e rogou a Santo Atanásio que construísse um mosteiro e uma igreja, onde sua irmandade poderia comungar os Divinos Mistérios de Cristo aos domingos. Em princípio, o santo recusou por não querer corromper-se com o ouro mundano que Nicéforo o oferecera, mas vendo o fervoroso desejo e a boa intenção de Nicéforo (e discernindo nisso a vontade de Deus), pôs-se a construir o mosteiro. Ele construiu duas igrejas, uma grande, em honra a São João Batista, e outra, ao pé de uma colina, dedicada à Mãe de Deus. As celas foram construídas no entorno da igreja, e assim surgiu um maravilhoso mosteiro na Montanha Sagrada. Também contava com uma trapeza (refeitório) e um asilo para doentes e peregrinos.

Surgiam irmãos de todas as terras, desde pessoas simples a ilustres dignatários, habitantes do deserto que labutaram no asceticismo por anos, hegúmenos de diversos mosteiros e hierarcas querendo tornar-se simples monges na Lavra de Santo Atanásio. O santo instaurou no mosteiro uma regra monástica cenobita acalcada no modelo dos antigos mosteiros palestinos. Os ofícios divinos eram servidos com todo rigor, e ninguém ousava abrir a boca durante os ofícios, nem chegar atrasado ou sair antes do final.

A Padroeira Celestial de Athos, a Puríssima Mãe de Deus, rejubilou-se com o santo. Muitas vezes ele teve o privilégio de vê-la com seus próprios olhos. Uma vez, ocorreu tal fome que todos os monges fugiram da Lavra, deixando apenas Santo Atanásio lá. Num momento de fraqueza, ele também cogitou fugir, mas de repente apareceu uma mulher sob um véu, vindo em sua direção. Ela sussurrou: “Quem és tu e para onde vais?” O santo então a contou sobre sua vida e suas angústias. A mulher retrucou: “Abandonarias o mosteiro destinado à glória de geração em geração apenas por um pedaço de pão seco? De onde vem tua fé? Vira para trás, eis que ajudar-te-ei.” “Quem tu és?”, perguntou Atanásio. “Eu sou a Mãe de Deus.” Então, a Santíssima pediu que ele golpeasse uma rocha com seu cajado. Da fissura, jorrou uma nascente de água que existe até hoje em lembrança dessa milagrosa visita.

A irmandade voltou a crescer, e as obras na Lavra foram retomadas. Santo Atanásio, prenunciando sua partida para o Senhor, profetizou sobre seu fim iminente e suplicou aos irmãos que não temessem. A irmandade ficou perplexa e ponderou as palavras do santo. Após dar aos irmãos sua orientação final e a consolação, Santo Atanásio entrou em sua cela, pôs o seu manto que usava nas Grandes Festas e voltou após longas orações. Atencioso e alegre, o santo hegúmeno subiu ao topo da igreja com outros seis irmãos para inspecionar a construção. De repente, pela vontade de Deus, o topo desmoronou, levando imediatamente para o Senhor cinco dos irmãos. Santo Atanásio e o arquiteto Daniel, jogados nas pedras, permaneceram vivos. Todos ouviram o santo clamar ao Senhor: “Glória a Ti, ó Deus! Senhor Jesus Cristo, acuda-me!” Os irmãos, em pranto, começaram a desenterrá-los dos escombros, mas encontraram-nos já mortos.

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