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Todos, desde os sacerdotes judeus até os dois crucificados zombavam de Jesus, dizendo: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”, ao que o Cristo apenas respondia com Seu silêncio. A extrema humildade e paciência do Salvador ao ser escarnecido e ridicularizado na Cruz até que os judeus se cansassem e fossem embora — afinal, alguns riram-se d’Ele do meio-dia até a hora nona — fez com que a consciência de Tito o lembrasse daquele episódio trinta anos antes, e assombrou-se com o que estava acontecendo.
Tito recordou tudo o que ouvira sobre Aquele que agora era crucificado ao seu lado, e um caloroso sentimento de Fé acendeu-se em seu coração. Ele entendeu que ao seu lado não estava um homem comum: Sua falta de malícia, Seu perdão, Sua oração, suportar a humilhação e a calúnia daqueles a quem Ele fizera o bem, só eram possíveis para Aquele que tinha a relação mais íntima com a Fonte do amor. Sim, Ele era sem dúvida o Filho de Deus, encarnado no pó ao mesmo tempo que mantinha uma comunhão ininterrupta com Seu Pai, Aquele a quem o pó rejeitara e agora voltava para o Seu Lar, Aquele que era capaz de perdoar os pecados dos homens. Se o ladrão voltasse a Cristo com o mesmo amor que recebera, de certo seria zombado pela multidão e pelos seus poucos parentes e conhecidos que lá estavam. Reconhecê-lo como Santo e Filho de Deus significaria atrair sobre si a ira dos judeus. Entretanto, por mais doloroso que fosse ser abandonado pelos homens no limiar da morte e sofrer do escárnio dos homens atrelado à sua agonia na cruz, mais ainda seria ser abandonado pelo Deus que agora ele conhecia. Estando no momento final de sua vida, era somente Deus a Quem Tito deveria temer, e fazer o que estivesse ao seu alcance para ganhar Sua boa vontade. Quando Dímaco ultrajou-o no seguinte modo: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!”, Tito olhou ao seu redor, viu a escuridão indescritível tomando conta de todo lugar e repreendeu-o de forma que todos escutassem-no: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo, recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas Este não fez mal algum. Jesus, lembra-Te de mim quando tiveres entrado no Teu Reino!” E Jesus, ouvindo o brado daquele ladrão que agora fazia-se seu novo discípulo num tempo em que seus próprios discípulos haviam-No abandonado, respondeu-lhe: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.” === Destino ===Até então, Cristo jamais havia prometido a alguém o Reino dos Céus, nem mesmo aos grandes santos e profetas da Antiga Aliança como [[João, o Batista|São João, o Batista]], os quais O aguardaram -No no Hades até Sua descida para que fossem levados ao Seu Reino. Se um Aquele bandido , que cometeu cometera tantos males e atos criminosos em sua vida , pôde receber o Reino dos Céus com apenas um pedido no momento da morte, então entendendo que o Reino d’Aquele Homem de Nazaré, desprezado e entregue a uma morte vergonhosa, não era deste mundo. Estando no limiar da eternidade, o desespero ladrão não é Lhe pediu a glória num reino terreno, mas a salvação de sua alma. O sincero arrependimento do ladrão deu origem a tamanha humildade que revelou-se como uma opção para aquele Fé não possuída nem mesmo pelos discípulos mais próximos de Cristo, os quais, embora cativados por Seus ensinamentos, depositavam sua Fé apenas nos sinais e maravilhas que espera no Senhor Cristo realizava, e agora encontravam-se abalados com humildade Sua terrível morte, sem que milagre algum salvasse-O da Cruz. O ladrão convertido realizou uma façanha que não foi capaz de ser feita por nenhum dos discípulos. Sendo o único a confessar a Cristo perante os homens naquela hora, Cristo o confessou perante Seu Pai que estava nos Céus. Tal como foi o primeiro a compreender a natureza do Reino de Cristo, assim Tito foi o primeiro a adentrá-lo. Tal como foi o primeiro a pregar a “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e submissão à loucura para os pagãos” (I Coríntios 1), assim Tito foi o primeiro a ouvir “o som do poder da Cruz, através da qual o Paraíso se abriu” (Cânone da Ascensão). Nas palavras de Santo Agostinho de Hipona, “o Senhor perdoou o ladrão na última hora de sua vida para que nenhum de nós nos desesperemos. Entretanto, como a ceifada da morte é fugaz, não esperemos que saibamos através de Sua soberania divinamisericórdia quando será o fim de nossas vidas para confessar-Lhe nossos pecados.Por esse motivo, não adiemos nosso arrependimento, para que os pecados não nos acompanhem na próxima vida e pesem como um fardo intolerável.” == Ligações externas ==* [https://www.johnsanidopoulos.com/2010/04/why-good-thief-was-pardoned.html São Dimas, o Ladrão] (João Sanidopoulos)
[[Categoria:Santos]]