Cleopa Ilie

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Abençado Ancião Cleopa Ilie.

Ancião Cleopa Ilie (10 abril de 1921 - 2 de dezembro de 1998) foi um abade e arquimandrita do Monastério de Sihastria e um famoso representante espiritual da Igreja da Romênia.

Primeiros anos

Cleopa nasceu em Suliţa, distrito de Botoşani. Foi batizado por seus pais Alexandru e Ana Ilie com o nome de Constantin, sendo o quinto dos dez filhos do piedoso casal de camponeses. A educação religiosa que ele e seus irmãos receberam na infância era tão forte que cinco dos dez filhos, juntamente com a sua mãe em seus últimos anos de vida, entraram para a vida monástica.

Sua ótima formação espiritual era devida, em primeiro lugar, ao convívio com o hieroschamemonge Paísio (Olarou) da Ermida de Kozantsea-Bodosani, que por muitos anos foi o pai espiritual de toda a família. Enquanto passava a infância pastoreando as ovelhas da família em torno das florestas de Sihastria, o jovem Constantin, juntamente com seus dois irmãos mais velhos Basílio e George, eram espiritualmente criados pelo Padre Paísio.

Entrada à vida monástica

Na primavera de 1929, Constantin e seus dois irmãos decidiram sair de casa e ingressar na Ermida de Sihastria, na época sob a direção espiritual do Abade Ioannicius (Moroi), considerado um dos mais santos pais espirituais da Moldávia naquele tempo.

Em 1935, precisou servir ao exército em Botoşani, mas retornou um ano depois ao ermitério. Com a graça de Deus, em 1936, depois de sete anos de provações, o jovem Constantin Ilie foi finalmente tonsurado monge tomando o nome de Cleopa (que significa "guia"). Monge Cleopa continuou seu ofício de pastor de ovelhas, que muito amava, agora em sua comunidade monástica.

Na universidade da obediência e do silêncio, Cleopa leu cerca de cem obras, começando por teologia, moral, liturgia e hagiografia; terminando por obras patrísticas de grandes santos da Igreja, sem mencionar, é claro, o Horologion e o Saltério. O seu livro mas querido, entretanto, foi a Sagrada Escritura. Além das Escrituras, Padre Cleopa amava ler a vida dos santos, os ditos dos Padres do deserto, a Escada da Ascensão Divina de São João Clímaco, as obras ascéticas de São Maximo o Confessor, São Simão o Novo Teólogo, São Gregório Palamas e outros.

Em 30 de maio de 1941, um incêndio devastou a ermida e queimou o telhado, a capela e diversas celas de madeira onde ficavam os monges. Após esta tragédia, a vida na ermida de Sihastra se tornou cada vez mais difícil.

Sua vida após a ordenação

Em junho de 1942, embora ainda fosse um simples monge com trinta anos de idade, Cleopa assumiu temporariamente o governo da comunidade no lugar do já idoso Abade Ioannicius, que foi confinado em sua cama por conta da doença. Em 27 de dezembro de 1944, Cleopa foi ordenado hierodiácono, ao passo de que em 23 de janeiro de 1955 foi ordenado hieromonge pelo arcebispo Galaction (Cordun), que na época havia sido nomeado abade do Monastério de Neamț. A partir de então, Cleopa passou a ser oficialmente o Abade da Ermida de Sihastria, servindo como pastor das almas daquela comunidade.

Entre 1945 e 1946, Abade Cleopa iniciou um processo de renovação e reconstrução do que havia sido perdido no incêndio. De fato, o Ancião realizou verdadeiros milagres: reuniu em torno de si 80 monges e noviços, construiu novas habitações monásticas, ergueu uma capela de inverno, restaurou a ermida ao seu cenobítico estado original, organizou-a de acordo com a ordem tradicional da vida monástica hesicasta, levantou importantes pais espirituais e realizou diversas viagens missionárias para a salvação dos fiéis.

Em 1947, o nome e as atividades administrativas de Cleopa já eram populares. Com isso, o Patriarcado da Romênia propôs a elevação da então ermida à categoria de monastério em 30 de junho de 1947 e a elevação do Abade Cleopa ao grau de arquimandrita em 19 de setembro de 1947. Tal decisão foi tomada pelo Patriarca Nicodemos (Munteanu) da Romênia ao ver a dedicação e o esforço do Ancião, que conseguiu em apenas cinco anos transformar uma ermida totalmente queimada e quase abandonada em uma grande, bem organizada e famosa comunidade.

Problema com os comunistas

Em 1947, os soviéticos ocuparam a Romênia e forçaram o Rei Miguel a abdicar, iniciando imediatamente uma ditadura comunista. Monastérios foram fechados, inumeráveis hierarcas, padres, monges, monjas e outros fiéis ortodoxos foram presos, torturados e assassinados. Com a ajuda de Deus, Sihastria havia permanecido intacta em sua localização remota perto das Montanhas dos Cárpatos.

Apesar de Cleopa ter apenas 36 anos nesta época, ele já havia se tornado um líder cristão conhecimento nacionalmente. Tendo se juntado ao seu antigo pai espiritual, Ancião Paísio Olaru, e tendo o apoio do Padre Joel Gheorgiu, transformou Sihastria em um centro espiritual da Ortodoxia para a Romênia e, portanto, uma ameaça para o governo comunista.

Pela graça que saia da boca do padre Cleopa uma vivificante fé era plantada naqueles que o ouviam. Em uma tentativa de repreensão do fluxo da fé, o governo comunista procurou impedir o padre Cleopa de falar. Em maio de 1948, nas festas de São Constantino e de Santa Helena, padre Cleopa realizou uma homilia elogiando o zelo dos grandes imperadores que deram liberdades às igrejas cristãs, na qual disse: "Queira Deus que nossos próprios governantes possam se tornar como os santos imperadores foram, e que a Igreja possa ser capaz de também comemorá-los pelos séculos!" Um dos presentes reclamou (provavelmente um observador enviado pelos comunistas) e no dia seguinte a polícia prendeu o ancião, levando-o à uma cela em Târgu Neamţ sem cama e alimentos, onde foi interrogado por cinco dias.

Após ser solto, as pessoas em torno do ancião aconselharam que ele fosse para as montanhas de Sihastria. Prevendo os problemas com as autoridades comunistas, seguiu este conselho e permaneceu por seis meses em uma cabana feita de madeira e terra à 6 km do monastério, no interior da floresta. Lá rezou continuamente, dia e noite, pedindo a ajuda de Deus e da Theotokos, a quem tinha grande devoção. Os monges levavam ocasionalmente coisas para ele comer. Após este período, o arquimandrita Cleopas foi restaurado a sua função no Monastério de Sihastria para a alegria de todos, tanto dos monges como dos fiéis.

Em 30 de agosto de 1949, pela decisão do patriarca Justiniano, o ancião foi apontado como administrador do Monastério de Slatina, no distrito de Suceava. Lá se juntou com mais outros trinta monges que vieram juntos do Monastério de Sihastria. Durante este tempo, o Metropolita da Molvádia pediu que padre Cleopa assumisse a orientação espiritual da maioria dos monastérios da região: Putna, Moldovta, Riska, Sihastria e as ermidas de Sihla e Rareau. Neste momento, Ancião Cleopa havia se tornado o mais célebre e respeitado ancião de toda a Romênia.

Segundo retiro nas montanhas

O Monastério de Slativa floresceu, de modo que na primavera de 1952 já se encontrava entre os melhores monastérios do país. O diabo, que nunca dorme, não podia suportar o som e a harmonia ascética de Slatina. Na mesma época, a política secreta iniciou uma investigação completa sobre a congregação do mosteiro. Chegando a noite, realizaram diversas prisões, lideradas pelo Ancião Cleopa, o jovem hieromonge Arsênio Papacioc e o irmão Constantin Dumitrescu. Levando-os a Falticeni, investigaram cada um deles a noite toda. Finalmente, disseram ao ancião para não fazer "propaganda religiosa" e o liberaram.

Novamente em liberdade, ele e o hieromonge Arsênio Papacioc viajaram secretamente para as montanhas da Molvadia até que a situação fosse normalizada. Lá, passaram frio, fome, sede e viveram lado a lado com os animais selvagens; rezaram dia e noite, ajudando um ao outro.

Padres Cleopa e Arsênio foram forçados a saírem das montanhas de Stanisoarei no verão de 1954, por ordem do Patriarca Justiniano. Com isso, ambos voltaram para o Monastério de Slatina, para a alegria dos monges e fiéis da região.

Grande perseguição aos monastérios

Morte

Provável canonização

Citações

Fontes

Veja mais

  • O falso "dom de línguas": Parte 1 e Parte 2 - Retirado da obra "A Verdade da nossa fé" escrita pelo Ancião.