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[[Imagem:Bóris e Glebe.jpg|miniatura|direita|Santos Bóris e Glebe.]]
'''Os Mais Ortodoxos Santos Príncipes e Mártires Bóris de Rostóvia e Glebe de Murom''' (séc. XI) foram os dois primeiros mártires das terras russas após o [[Batismo da Rus']], filhos de São Vladimir. Junto deles, também são comemorados como mártires '''Jorge e seus companheiros''', que se sacrificaram por amor a São Bóris. Como não responderam o mal com o mal, os santos príncipes são chamados de Portadores da Paixão. A Igreja os comemora nos dias [[24 de julho]] pelo martírio de São Bóris, [[5 de setembro]] pelo de São Glebe e [[2 de maio]] pela transladação de suas relíquiase a consagração da Igreja dos Santos Bóris e Glebe em Quieve.
Além dessas datas, os mártires também são comemorados na Festa de Todos os Santos de Tula em [[22 de setembro]], na Festa de Todos os Santos de Rostóvia e Jaroslávia em [[23 de maio]] e na Festa de Todos os Santos de Riazã e Sibéria em [[10 de junho]]. Juntamente com Santa Olga de Quieve, Bóris e Glebe são os padroeiros de toda a Visgárdia, estando até hoje presentes em seu brasão.
== Vida ==
=== Igreja dos Santos Bóris e Glebe em Quieve ===
[[Imagem:Church of Saints Boris and Gleb.jpg|miniatura|Igreja dos Santos Bóris e Glebe em Quieve com uma parte das paredes destruída por tiros da Segunda Guerra Mundial.]]Na era do Metropolita Jorge (1069–1073), quando São Jaroslau já havia repousado no Senhor e seu filho Iziaslau (1054–1078) governava Quieve, uma igreja de pedra foi construída na Visgárdia para sediar as relíquias dos santos príncipes como agradecimento à salvação de Quieve dos xamanistas cumanos. Em 2 de maio de 1072, [[Antônio e Teodósio de Quieve|São Teodósio de Quieve]] reuniu-se com os outros hegúmenos e bispos das terras russas para a transladação das relíquias. Iziaslau e os outros filhos de São Jaroslau carregavam o caixão de madeira de São Bóris em seus ombros, e eram precedidos pelos monges que seguravam velas em suas mãos. Na frente deles vinham os diáconos incensando o caminho, os padres e os bispos. A procissão era liderada pelo Metropolita Jorge.
Assim que abriram o caixão, uma doce fragrância tomou conta de toda a igreja e o temor apoderou-se de Jorge, que estava incerto sobre a santidade das relíquias. Ele próprio prostrou-se e implorou pelo perdão, beijando as relíquias de Bóris e transladando-o para um caixão de pedra. Em seguida trouxeram as relíquias de São Glebe, vindas através de um carrinho por conta do peso de seu caixão, que já era de pedra. Assim que chegaram às portas da igreja, o caixão parou imóvel, e as cordas não conseguiam puxá-lo mais adiante. Foi necessária uma litania para que o caixão de Glebe aceitasse adentrar a igreja. Após a grande comemoração da consagração e a Divina Liturgia, o jantar foi servido a todos os presentes, e desde nobres a monges partilhavam da mesma mesa.
Quando seu irmão Esvetoslau II (1073–1077) tomou Quieve para si num momento de instabilidade, quis reconstruir a igreja com paredes de pedra em vez de madeira. A construção só foi concluída após a morte de ambos, no grão-principado de Usevolodo (1078–1093), também irmão. Nos tempos de Esvetopolco II (1093–1113), filho de Iziaslau, uma porção das relíquias dos santos príncipes foi enviada à ao Mosteiro de Sázava na Boêmia para que as terras fossem purificadas do espírito de seu tio-avô, e seus caixões foram reconstruídos em prata em vez de pedra. Quando São Vladimir II, filho de Usevolodo, ainda era Príncipe de Pereslávia (1094–1113), os caixões foram folheados A doação a ouroSázava ocorreu em 1095, enquanto que um ano antes do mosteiro abandonar a igreja crescia em altura graças às obras de Olegue, Príncipe de Chernigóvia (1097–1115) e filho de Esvetoslau IIOrtodoxia.
Quando São Vladimir II, filho de Usevolodo, ainda era Príncipe de Pereslávia (1094–1113), os caixões foram folheados a ouro, enquanto que a igreja crescia em altura graças às obras de Olegue, Príncipe de Chernigóvia (1097–1115) e filho de Esvetoslau II. A nova igreja foi concluída em 1111, mas Esvetopolco II não queria transladar as relíquias para o novo templo já que a obra não era sua. Após sua morte em 1113, São Vladimir II tornou-se Grão-Príncipe de Quieve (1113–1125) e, em 2 de maio de 1115, no mesmo dia da primeira transladação das relíquias, peregrinos de todo o grão-principado lotaram Quieve, e as Matinas tiveram que ser realizadas em ambas as igrejas para que todos pudessem participar da festa.
A transladação dos caixões foi feita com carrinhos. Enquanto que São Vladimir II acompanhava o de São Bóris, Olegue e seu irmão Davi seguiam o de São Glebe. De fato, São Bóris tornou-se padroeiro dos descendentes de São Vladimir II, enquanto que Glebe tornou-se o dos descendentes de Olegue e Davi. Esse último chamava-se Davi por causa do nome cristão de São Glebe, e também era irmão de Romano de Tmutaracã (1073–1079) e Glebe de Novogárdia (1067–1078), todos filhos de Esvetoslau II.
Tanto a Visgárdia como todas as terras quievanas ligadas ao martírio dos santos irmãos receberam inúmeras igrejas, como no local onde São Bóris foi assassinado (também na Visgárdia), onde São Glebe tomou seu bote (próximo de Esmolensco), onde o corpo de Glebe foi encontrado quatro anos após seu martírio (também em Esmolensco; <small>[[commons:Category:Borisoglebsky Monastery (Smolensk)|ver fotos]]</small>) e onde o crânio de São Jorge está, um mosteiro fundado por Santo Efraim de Novotorsócia, seu irmão (na Tuéria; <small>[[commons:Category:Borisoglebsky Monastery (Torzhok)|ver fotos]]</small>). Essas e muitas outras igrejas evidenciaram a enorme veneração que os santos príncipes tinham como os primeiros mártires da Rússia.
A Igreja dos Santos Bóris e Glebe em Quieve sediou suas santas relíquias até o Cerco de Quieve em 1240, quando os xamanistas, agora dentro do continental Império Mongol e liderados pelo Imperador Bato (1227–1255), neto de Gêngis, invadiram as terras russas e saquearam suas cidades. Mais de meio milhão de cristãos ortodoxos tiveram suas vidas ceifadas nessa invasão, e a Igreja dos Santos Bóris e Glebe foi completamente destruída. Suas relíquias nunca mais foram encontradas. Uma série de reconstruções foram feitas, mas todas demolidas em pouco tempo. Em 1991, na era do Patriarca Aleixo II (1990–2008), o templo foi restaurado após ser demolido na Segunda Guerra Mundial (1939–1945).
== Hinos ==