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Jorge nasceu no século terceiro na província da Capadócia, vindo de uma próspera família pertencente à nobreza romana e cristã. Em sua juventude, durante o reinado de Diocleciano (284–305), teve de fugir para Lida na Síria com sua mãe após seu pai ter sido martirizado por confessar a Jesus Cristo, porém não tardou a ficar órfão também de mãe.
Partiu então para a Nicomédia na Bitínia, onde ingressou na Guarda Pretoriana, e lá permaneceu até ser promovido à posição de tribuno, liderando diversas centúrias. Sua luta contra o mal — tanto material como espiritual — permitiu que ele fosse representado na iconografia como vencendo o dragão. Em um de seus feitos, havia uma grande e invencível serpente que comia todo ser vivo que visse pela frente, e passou a habitar a única fonte de água de um vilarejo. Sozinho e sem ter recebido ordens, o cavaleiro foi até a serpente e partiu-a no meio assim que ela pulou para engoli-lo.
Certa vez, quando voltava de uma campanha, entrou na cidade voltou a Nicomédia e ficou sabendo sobre a eclosão da Grande Perseguição (303–313) e do quarto decreto de Diocleciano, que condenava à morte todos os gregos que não oferecessem sacrifício aos deuses pagãos. Jorge, que sempre teve por objetivo final servir ao seu Senhor Jesus Cristo, entendeu a missão a qual agora teria de cumprir. Distribuindo aos pobres todos os espólios que suas centúrias haviam obtido naquela campanha, prontamente apresentou-se ao Senado, proclamando sua Fé em Cristo, repreendendo a ilusão dos ídolos e desdenhando daqueles que neles acreditavam. Isso ocorreu num 10 de novembro.
Diocleciano amava Jorge como se fosse um irmão, e considerava que não havia nenhum soldado tão bravo e essencial como o tribuno. Mesmo sendo tentado pelas lisonjas e promessas do tirano imperador, o santo tribuno não se deixou levar pelas persuasões e rejeitou-as, preferindo as ameaças que o foram dirigidas caso negasse oferecer sacrifícios.