Filomeno do Poço de Jacó

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Ícone de São Filomeno, o Novo Hieromártir

São Filomeno do Poço de Jacó, também conhecido como São Filomeno, o Novo Hieromártir (15 de outubro de 1913 - 16 de novembro de 1979), era o arquimandrita do Monastério do Poço de Jacó, próximo de Samaria (agora Nablus, Cisjordânia), quando foi brutalmente martirizado por um grupo de judeus. Sua memória é celebrada pela Igreja no dia 29 de novembro.

Índice

Vida

Primeiros anos

Arquimandrita Filomeno (em grego: Φιλουμενος; transl. Filoumenos), nascido Sófocles Hasapias (em grego: Σοφοκλής Χασάπης; transl. Sofloklis Hasapis) na aldeia de Orounta, Província de Morphou, Chipre, era filho de Jorge e Madalena Hasapis. Possuía um irmão gêmeo, Elpídio, que posteriormente também veio a se tornar um arquimandrita. Apesar de serem de Orounta, frequentavam a Igreja de São Savvas em Nicósia, onde seu pai possuía uma pousada e uma padaria.[1]

Desde a juventude os dois irmãos já demonstravam um zelo especial pelas Sagradas Escrituras, sendo inspirados em particular pela sua avó Loxontra, que, além de sua mãe, os influenciou no aprendizado dos caminhos da Igreja e o desenvolvimento de uma verdadeira consciência ortodoxa.[2]

Juntamente com seu irmão, Filomeno demostrava um forte entusiasmo pela oração, lia frequentemente a vida dos santos e aprendia os hinos da Igreja. Os dois irmãos foram tocados especialmente pela vida de São João, o Kalyvitis, que de certa forma criou tal impacto a ponto de inspirá-los a querer seguir a vida monástica.

Aos 14 anos de idade ambos ingressaram no antigo Monastério de Stavrovouni, fundado pela Santa Imperatriz Helena, onde permaneceram por cinco anos.[2]

Na Terra Santa

Posteriormente, ambos partiram para Jerusalém, onde completaram sua educação secundária. Após a conclusão dos estudos, Elpídio foi ordenado e enviado para servir em diferentes lugares, até que enfim migrou para o Monte Athos, enquanto Filomeno ingressou na Irmandade Monástica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.[1]

Arquimandrita Filomeno no Poço de Jacó

Seu filho espiritual, o monge Yeghia, registrou algumas memórias de seu pai em Cristo:

"Padre Philoumenos costumava me contar a respeito de seus anos em Belém, onde o bispo desaprovava a educação aos monges a não ser que estivessem tentados ao sacerdócio. Mas por conta de seu zelo pelas almas negligenciadas dos fiéis palestinos, Padre Filomeno estudou a fim de se tornar fluente em árabe, tanto na leitura como conversação, cantando o Santo Evangelho com mais facilidade que muitos árabes, e pregando a fé ortodoxa não apenas na língua deles mas em sua maneira ortodoxa de vida. Que grande pastor ele era, mais digno que alguns do episcopado! Contudo, as políticas e as necessidades do patriarcado viram Padre Filomeno designado a outros cargos. Sempre que os fiéis palestinos estavam escandalizados por causa de um sacerdote indigno, sempre que a negligência por parte dos ortodoxos ou o dinheiro europeu levavam os fiéis a questionar se não receberiam um melhor cuidado pastoral pelos Uniatas, era o Padre Filomeno que o Patriarca de Jerusalém enviava como verdadeiro defensor da fé, um homem com mais do que uma vida irrepreensível, um homem de quem ninguém poderia sequer imaginar qualquer palavra imodesta ou imprópria, um homem cuja fé e integridade eram modelo para todos."[3]
"Três coisas foram as mais notável sobre a bem-aventurado mártir. A primeira pode ter sido, em parte, da natureza, mas certamente ajudada pela Graça: isto era sua doce e suave voz, que eu ainda posso ouvir hoje. A segunda era a fidelidade meticulosa às coisas pequenas, mas especificamente ao Serviço Divino. Ele nunca omitiu uma palavra de nenhum serviço diário. Quando nós estávamos sozinhos em algum monastério remoto, particularmente para as Matinas, ele cantava cuidadosamente e lentamente cada palavra de todo salmo e cânone. Nem mesmo no Monastério de São Sabba a leitura era feita tão bem. Mas quando havia peregrinos para a Divina Liturgia e as Vésperas, ele fazia condensações habituais para que o serviço não ficassem tão longo e alguns fossem tentados a abandoná-lo. Posteriormente, em particular, lia cada palavra que não era cantada na Igreja. Aqueles que ficavam com ele por algum tempo viam as cópias do Menaion, Horologion, Synaxarion, etc, e percebiam que os marcadores estavam sempre no lugar e os volumes nunca empoeirados, que valeu a Divina Promeça: "Bem está, servo bom e fiel, porque tu foste fiel sobre as pequenas coisas, sobre grandes coisas te colocarei; entra tu no júbilo do Senhor." (Marcos 25:21) A terceira, e mais discreta, quase secreta, era sua humildade."[3]

Em 1979, Padre Filomeno foi nomeado guardião do Monastério do Poço de Jacó.

Martírio

Lê-se no pergaminho: "E não temas os que matam o corpo, mas não podem matar a alma"

O momento culminante de sua peregrinação terrena aconteceu em 29 de novembro de 1979, dia de seu onomástico, no santuário construído no local do Poço de Jacó. Na semana anterior, um grupo de fanáticos sionistas adentraram ao monastério afirmando que o lugar era um local sagrado judeu, e que todas as cruzes e ícones deveriam ser removidos. É claro que o guardião do monastério argumentou que aquele lugar onde eles estavam foi construído pelo Santo Imperador Constantino antes de 331, e que desde então servia como um lugar sagrado para os cristãos ortodoxos por dezesseis séculos antes do estado israelita ser criado; e além do mais, estava em mãos samaritanas oito séculos antes deste acontecimento. O grupo então reagiu as argumentações do monge proferindo todo o tipo de ameaças, insultos e obscenidades que os cristãos locais sofrem regularmente.[2]

Passados alguns dias, em uma noite na qual chovia torrencialmente, o grupo invadiu o monastério. Padre Filomeno já estava paramentado com o seu epitrachelion para celebrar as Vésperas. Os judeus adentram a nave, tomaram o monge e começaram a cortar o seu corpo com uma machadinha, em cortes em forma de cruz, primeiramente em seu rosto. Dominado por dois homens, o monge teve suas orelhas decepadas e seus olhos arrancados. Eles também cortaram os dedos de sua mão direita em pedaços e seu polegar foi jogado fora. Estes foram os dedos com o qual ele fez o sinal da cruz. Após constatar a morte do monge, os judeus submeteram o Santo templo a todo tipo de profanação, com formas de sacrilégio das mais terríveis.[4]

Os cortes fragmentados dos três dedos com o qual ele fez o sinal da cruz indicavam que foi torturado em uma tentativa de fazê-lo renunciar a sua fé. Seu corpo foi levado da Igreja, retornando somente seis dias após o massacre. Apesar disso, manteve sua flexibilidade e foi sepultado no Cemitério do Monte Sião. O Novo Mártir Filomeno serviu na Terra Santa por 46 anos (1933-1979).

Glorificação

Relíquias de São Filomeno no Monastério do Poço de Jacó

Como é de costume entre os monges gregos, após quatro anos o corpo do monge foi exumado. Ele foi encontrado substancialmente incorrupto, exalando uma agradável odor. Em seguida, seu tumulo foi fechado para ser posteriormente reaberto no período da Natividade de 1984.

Em 17 de novembro (CJ: 30 de novembro) do mesmo ano, o Patriarca Diodoro de Jerusalém, acompanhado por vários bispos, arquimandritas, presbíteros e monges, abriram o túmulo. O caixão foi reverentemente retirado de seu túmulo no cemitério da Irmandade do Santo Sepulcro no Monte Sião, e, quando o sudário foi levantado, as relíquias foram encontrados novamente substancialmente incorruptas. Os restos mortais foram lavados com vinho e depois enrolado em um lençol. Um curto serviço de Panihida foi então celebrado.[2]

Vinte e nove anos após o seu martírio, suas relíquias regressaram ao Poço de Jacó através do Metropolita Neófito de Morphou da Igreja do Chipre, com a benção de Sua Beatitude o Patriarca Teófilo III de Jerusalém.[5] Posteriormente em 11 de setembro de 2009, o Santo Sínodo da Igreja de Jerusalém decidiu classificá-lo em seu Hagiologion. Em 29 de novembro, Sua Beatitude, juntamente com outros arcebispos e presbíteros, foi até o Poço de Jacó para oficializar a glorificação. Em sua chegada, foi cordialmente recebido pelo Arquimandrita Ioustinos, presbíteros da Irmandade e outros padres de outras igrejas locais, enquanto uma multidão de fiéis já havia lotado a Igreja e o seu pátio. Sua Beatitude presidiu a Divina Liturgia juntamente com os bispos da Sé Patriarcal e um outro número de clérigos das Igrejas do Chipre, Grécia, Rússia, Romênia e Ucrânia, que lideravam grupos de peregrinos. São Filomeno foi então oficialmente glorificado e sua memória é comemorada pela Igreja neste mesmo dia, especialmente na Santa Metrópole de Morphou da Igreja do Chipre e na comunidade de Orounta, que observa anualmente uma noite inteira de serviços completos em uma Igreja edificada em honra a memória do Novo Mártir.

São Filomeno faz parte dos novos mártires da era moderna, juntamente o irmão José Muñoz-Cortes, guardião do Ícone de Montreal da Deípara, o Hieromártir Daniel Sysoyev, martirizado por um fanático muçulmano, os Novos Mártires do Monastério de Optina na Rússia e o Hieromártir John Karastamatis na Califórnia, martirizados por satanistas, entre outros. Esta é uma prova de que os martírios não são resumidos a Roma pagã ou ao sangrento período comunista, mas sim algo presente em nossos dias.

Referências

  1. 1,0 1,1 Rev. Pe. Edward Pehanich. Father Philoumenos of Jacobs Well 1913-1979. The Church Messenger, American Carpatho-Russian Orthodox Diocese of the U.S.A. Volume LXIV, Número 1, 27 de Janeiro de 2008. Página 7. (em inglês)
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 NOCTOC: Ο Κύπριος Άγιος Φιλούμενος που κατακρεούργησαν οι σιωνιστές Εβραίοι το 1979-The Cypriot Saint Philoumenos who was massacred by Zionist Jews in 1979. Sábado, 29 de novembro de 2008.
  3. 3,0 3,1 Monge Yeghia Yenovkian. Tribute to a New Martyr - Our Holy Father Philoumenos of the Brotherhood of the Holy Sepulchre . Martyred at Jacob's Well, 16/29 November, 1979. Orthodox America, 1994.
  4. All Saints of North America Russian Orthodox Church. Holy Hieromartyr Philoumenos.
  5. Aristeidi Viketou. The transfer of the Sacred Relics of the hieromartyr Philoumenos the Cypriot to Jacob’s Well.

Fontes

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